São Francisco Estados Unidos
Quando a geração beatnik tomou de assalto a cena
cultural e literária dos Estados Unidos, vivia-se a paranóia da Guerra
Fria e a institucionalização do american way of life. Os anos eram os 50
e os "ismos" mais ouvidos retumbavam de macarthismo, comunismo e
conservadorismo.
Rapazes como Jack Kerouac, Allen Ginsberg, William
Burroughs e Lawrence Ferlinghetti, entre outros, vieram definitivamente
para desafinar o coro dos resignados, provocando não só o maior
fenômeno cultural da segunda metade do século 20, mas semeando o solo
para a contracultura dos anos 60 e início dos 70.
Era um punhado de jovens criados sob a Grande
Depressão, inconformados, rebeldes, "malditos". Eles deram
forma ao primeiro movimento de contestação diante do mar de prosperidade
do pós-guerra. Nascia a Beat Generation, a geração beatnik.
O termo surgiu - e Kerouac morreu reivindicando sua
autoria - da corruptela do nome do satélite russo Sputnik com o termo
inglês beat, de vários significados. Os beatniks rodaram o país de
costa a costa - num roteiro que até hoje fãs do movimento refazem, de
carro, trem, carona. Cruzaram a fronteira com o México. Pegaram a estrada
recitando poemas, procurando uma consonância maior entre vida e obra
artística. Foi assim que fizeram história e chegaram a São Francisco,
na ensolarada Califórnia.
A cidade se tornou, então, uma espécie de porto para
eles. E o refúgio ideal tinha endereço certo: o número 261 da Columbus
Avenue, no bairro italianíssimo de North Beach. Foi ali que Lawrence
Ferlin-ghetti (hoje com 84 anos) criaria a livraria City Lights Books, em
1953.
Outros tantos pontos da cidade carregariam as marcas
dessa geração. O Vesuvio Café, a Six Gallery, as casas noturnas e as
galerias de arte, que levavam às paredes uma analogia das imagens
oníricas e surreais que pulavam dos escritos daqueles rapazes, como os
borrões sobre borrões de puro expressionismo abstrato de Jackson Pollock.
O apelido de Little Italy cai como uma luva para North
Beach, o pedaço mais animado na noite de São Francisco. Colonos chegados
do Chile e da Itália levaram ao local a paixão pela vida noturna. E foi
essa efervescência que atraiu e segue atraindo os boêmios.
O ponto de partida para se explorar North Beach é
justamente a City Lights Books. Os autores da geração beat quase
desapareceram, mas a livraria onde eles costumavam se reunir com o
proprietário que os ajudou a ficar famosos não parece estar decaído,
depois de 50 anos de existência.
Cinco anos mais antigo que a livraria, o Vesuvio Café
(255 Columbus Av.) igualmente marcou aquela geração. Em outubro de 1955,
Neal Cassady fez uma parada ali antes de seguir para uma leitura de
poemas. Foi o que bastou para que os beatniks adotassem o lugar. Hoje,
são os fãs do movimento que se acotovelam em torno do balcão ou nas
mesinhas de madeira do andar térreo e do mezanino.
Do outro lado da avenida, no número 12 da Adler Alley,
está o Specs. Com um atendimento um pouco atrapalhado, o bar reúne
relíquias beats, como algumas publicações, fotos, quadros e objetos
pessoais dos artistas. O Specs reserva ainda um bônus especial para os
rapazes: passe pelo banheiro masculino, siga até o fim do corredor e olhe
para cima, em direção a uma antiga clarabóia. Dali avistam-se as pernas
de fora das dançarinas do Jardim do Éden, uma boate de strip-tease que
tem entrada pela Broadway.
De volta à Columbus, a próxima parada deve ser no
Caffè Triste, na esquina com a Vallejo Street. A cafeteria mais antiga da
cidade vende do italianíssimo expresso a delícias saídas de sua
confeitaria. Serve de ponto de encontro para artistas desde 1956, já foi
cenário para filmes e oferece ópera ao vivo aos sábados.
Reformado há dois anos, o Lost and Found Saloon, na
Grant Avenue, voltou a ter a aparência do bar que nos anos 60 assistia à
pulsante vida cultural de North Beach e atraía os beatniks para suas
noitadas etílicas. Foi ali, por exemplo, que Janis Joplin começou sua
carreira, quando o local ainda se chamava Coffee Gallery. No cardápio,
seguem rock e blues. Da melhor qualidade, como nos velhos tempos.
CITYPASS - Economia de 50% sem enfrentar filas. Isto é
o que oferece o CityPass de São Francisco. Deve ser adquirido na primeira
atração que se for visitar e vale por nove dias (sete consecutivos, no
caso do transporte público). Dá direito à entrada no Exploratorium, no
California Palace of the Legion of Honor, no San Francisco Museum of
Modern Art e na California Academy of Sciences & Steinhart Aquarium, a
um passeio pela baía de São Francisco e ao uso ilimitado dos bondes e
ônibus da rede municipal de transporte. Custa US$ 36 para adultos e US$
28 para quem tem entre 5 e 17 anos. Só os ingressos para os museus
custariam US$ 39. Mais informações no site www.citypass.com.
MODERNISMO - Criado em 1935 para expor peças de
artistas do século 20, o San Francisco Museum of Modern Art mudou-se para
a atual sede há oito anos. O prédio modernista, assinado pelo suíço
Mario Botta, reúne mais de 17 mil obras, espalhadas por seus quatro
andares. Fica na 151 Third Street. Mais informações no site
www.sfmoma.org.
CIÊNCIA - Localizado num galpão adjacente ao Palácio
de Belas Artes, de linhas neoclássicas, o Exploratorium é um dos mais
ativos museus científicos dos EUA. Criado pelo físico Frank Oppenheimer
(irmão de um dos criadores da bomba atômica), está repleto de
exibições interativas, que deixam crianças e adultos enlouquecidos.
Fica na 3.601 Lyon Street. Mais informações no site
www.exploratorium.edu.
RODIN - Inspirado no Palais de la Légion d'Honneur de
Paris, o Palace of the Legion of Honor foi erguido para ser o templo da
arte francesa na Califórnia. Mas se tornou bem mais que isso, cobrindo a
arte européia dos últimos oito séculos. Exibe um dos exemplares
originais de "O Pensador" (1904), de Rodin. Fica na 34th Avenue
com Clement Street. Mais informações no site www.legionofhonor.org.
DIVERSIDADE - California Academy of Science &
Steinhart Aquarium guarda um variadíssimo conjunto de peças, dispostas
por assunto: pedras preciosas, vida selvagem, Terra e espaço, safári
africano, Steinhart Aquarium (com 14 mil espécies de animais de poças de
maré, moluscos, mamíferos marinhos, tubarões e peixes). Fica no Golden
Gate Park. Mais informações no site www.calacademy.org.
PELA BAÍA - Nada como ver o traçado de uma cidade ao
longe. Os passeios Blue & Gold Fleet Bay Cruise partem do Píer 39 e
seguem pelas águas calmas da baía. O charme é cruzar sob a Golden Gate
Bridge e passar pertinho da Ilha de Alcatraz. Mais informações no site
www.blueandgoldfleet.com.